Cartilhas gratuitas ajudam instituições de saúde a aprimorar a comunicação em cenários de crise e na pandemia

Programa "Comunicando Melhor na Crise" tem cinco manuais de comunicação sendo utilizados por hospitais; resultados já são percebidos na prática

SÃO PAULO, 25 de junho de 2020 /PRNewswire/ -- A pandemia impôs um inesperado desafio aos profissionais de saúde e aos hospitais. De um lado, em razão do alto risco de contágio, a angústia do isolamento físico completo entre os familiares e os pacientes internados; de outro, na linha de frente, equipes médicas nem sempre aptas a lidar com a comunicação difícil, sobretudo de forma virtual.

Atentos a este cenário dramático e visando amenizá-lo, um grupo multidisciplinar de estudiosos da área de Comunicação em Saúde desenvolveu manuais técnicos para orientar hospitais e profissionais da saúde na implantação de um modelo de visita virtual simples, de baixo custo e totalmente seguro, e uma série de outras práticas de comunicação no cenário de crise.

Os manuais ("Comunicação difícil e Covid-19", "Visitas virtuais durante a pandemia",  "Notícias de óbito durante a pandemia", "Abordagem familiar online" e "Aviso grave e Covid-19") integram o programa "Comunicando Melhor na Crise", iniciativa do IBCS-Instituto Brasileiro de Comunicação em Saúde, e podem ser obtidos gratuitamente pelo site https://www.ibcsinc.org/comunicando-melhor-na-crise.

Um vídeo recém-lançado marca a fase de expansão do projeto, que visa a atender mais instituições, reunir e compilar resultados para estudos futuros sobre a comunicação difícil em cenário de crise. Clique aqui e assista o vídeo.

Médico geriatra e paliativista do Hospital das Clínicas da FMUSP, Dr. Douglas Crispim, um dos autores dos manuais, analisa que boa parte dos profissionais de saúde que atuam na pandemia tem tomado a iniciativa de mudar a realidade à sua volta, replicando experiências positivas. "Como os protocolos são simples e exigem pouco investimento das instituições, normalmente são aceitos por gestores com mente aberta a mudanças", diz Crispim, que é também vice-presidente da ANCP, membro do grupo ASAS e do IBCS, e criador do curso CDS-Comunicação Difícil em Saúde.

Na linha de frente, os profissionais já trabalham com os manuais adaptados à rotina das instituições. "Estamos realizando a visita virtual no CTI Covid desde o início de maio e passamos a fazer acolhimento pós-óbito da família. Tem sido

um trabalho gratificante e emocionante. Com empatia e ação, estamos conseguindo produzir práticas de cuidado neste contexto desafiador", conta a Dra. Thábata da Silva Cardoso Luiz, médica psiquiatra do Hospital Universitário Antônio Pedro/UFF (Universidade Federal Fluminense), de Niterói (RJ), que utilizou os manuais como referência para implementar novas ações no hospital.

"Comunicação é troca. A origem da palavra é exatamente tornar comum, repartir, distribuir. Nossa intenção, quando criamos esses materiais, era ajudar a tornar a troca mais objetiva para reduzir a ansiedade dos profissionais de saúde neste momento desafiador de pandemia", explica Maria Júlia Paes da Silva, professora titular aposentada da EEUSP (Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo).

Comunicação difícil − O modelo sugerido pelo programa consiste na criação de um time de comunicação para a crise, composto por psicólogos e outros profissionais, como enfermeiros, médicos, fisioterapeutas e técnicos de enfermagem. No caso das visitas virtuais e telemedicina, a equipe de comunicação trabalha junto com a equipe que atende o paciente para agendar as interações com familiares via aplicativos simples de videochamadas, assim como as reuniões entre equipe médica e familiares na rotina de comunicar o boletim médico.

Os gestores e profissionais das instituições de saúde que se interessam pelo programa são atendidos diretamente pelos especialistas, que orientam na criação dos comitês de comunicação, treinamento dos multiplicadores, como e quais equipamentos utilizar, dentro da realidade de cada serviço.

"Fico muito feliz em ver diversas instituições usando nosso material e mais ainda ao receber os feedbacks que eles nos enviam, sobre o impacto da implementação dos protocolos de visitas e boletins virtuais, o quanto fez diferença na experiência de pacientes e familiares", afirma Sarah Ananda, médica paliativista, também autora do material.

Cuidado e acolhimento − Para Millena Câmara, especialista em psicologia hospitalar e luto, o contexto exige atenção com a saúde mental de pacientes, familiares e profissionais de saúde. A psicóloga lembra que o luto é o processo natural de adaptação às mudanças decorrentes de uma perda significativa, porém a realidade da atual pandemia tem resultado em novas perdas que precisam de um olhar mais atento no reconhecimento e autorização à expressão dessa dor. "Esse material foi cuidadosamente elaborado para lembrar a todos nós que é possível não perder a humanidade no caos. Na ausência do toque, o olhar pode ser a comunicação que toca o coração e acalenta o sofrimento", diz a especialista, que é idealizadora e membro do Núcleo de Apoio Apego e Perdas e membro do IWG (International Work Group on Death, Dying and Bereavement).

O sofrimento dos profissionais de saúde não foi esquecido. "As equipes médicas são formadas por filhos, pais, mães, esposos e esposas que sofrem ao verem seus pacientes vivendo a angústia de terem seus familiares ausentes nestes momentos. Comunicar-se é essencial para a vida, em todos os âmbitos. Quando interagimos, nos fortalecemos frente aos desafios, ainda que seja de forma virtual", finaliza Walmir Cedotti, psicanalista clínico da equipe do IBCS que integra o projeto e atua com desenvolvimento de equipes e líderes no Hospital das Clínicas e no ICESP da FMUSP.

FONTE Dr. Douglas Crispim

Programa "Comunicando Melhor na Crise" tem cinco manuais de comunicação sendo utilizados por hospitais; resultados já são percebidos na prática

SÃO PAULO, 25 de junho de 2020 /PRNewswire/ -- A pandemia impôs um inesperado desafio aos profissionais de saúde e aos hospitais. De um lado, em razão do alto risco de contágio, a angústia do isolamento físico completo entre os familiares e os pacientes internados; de outro, na linha de frente, equipes médicas nem sempre aptas a lidar com a comunicação difícil, sobretudo de forma virtual.

Atentos a este cenário dramático e visando amenizá-lo, um grupo multidisciplinar de estudiosos da área de Comunicação em Saúde desenvolveu manuais técnicos para orientar hospitais e profissionais da saúde na implantação de um modelo de visita virtual simples, de baixo custo e totalmente seguro, e uma série de outras práticas de comunicação no cenário de crise.

Os manuais ("Comunicação difícil e Covid-19", "Visitas virtuais durante a pandemia",  "Notícias de óbito durante a pandemia", "Abordagem familiar online" e "Aviso grave e Covid-19") integram o programa "Comunicando Melhor na Crise", iniciativa do IBCS-Instituto Brasileiro de Comunicação em Saúde, e podem ser obtidos gratuitamente pelo site https://www.ibcsinc.org/comunicando-melhor-na-crise.

Um vídeo recém-lançado marca a fase de expansão do projeto, que visa a atender mais instituições, reunir e compilar resultados para estudos futuros sobre a comunicação difícil em cenário de crise. Clique aqui e assista o vídeo.

Médico geriatra e paliativista do Hospital das Clínicas da FMUSP, Dr. Douglas Crispim, um dos autores dos manuais, analisa que boa parte dos profissionais de saúde que atuam na pandemia tem tomado a iniciativa de mudar a realidade à sua volta, replicando experiências positivas. "Como os protocolos são simples e exigem pouco investimento das instituições, normalmente são aceitos por gestores com mente aberta a mudanças", diz Crispim, que é também vice-presidente da ANCP, membro do grupo ASAS e do IBCS, e criador do curso CDS-Comunicação Difícil em Saúde.

Na linha de frente, os profissionais já trabalham com os manuais adaptados à rotina das instituições. "Estamos realizando a visita virtual no CTI Covid desde o início de maio e passamos a fazer acolhimento pós-óbito da família. Tem sido

um trabalho gratificante e emocionante. Com empatia e ação, estamos conseguindo produzir práticas de cuidado neste contexto desafiador", conta a Dra. Thábata da Silva Cardoso Luiz, médica psiquiatra do Hospital Universitário Antônio Pedro/UFF (Universidade Federal Fluminense), de Niterói (RJ), que utilizou os manuais como referência para implementar novas ações no hospital.

"Comunicação é troca. A origem da palavra é exatamente tornar comum, repartir, distribuir. Nossa intenção, quando criamos esses materiais, era ajudar a tornar a troca mais objetiva para reduzir a ansiedade dos profissionais de saúde neste momento desafiador de pandemia", explica Maria Júlia Paes da Silva, professora titular aposentada da EEUSP (Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo).

Comunicação difícil − O modelo sugerido pelo programa consiste na criação de um time de comunicação para a crise, composto por psicólogos e outros profissionais, como enfermeiros, médicos, fisioterapeutas e técnicos de enfermagem. No caso das visitas virtuais e telemedicina, a equipe de comunicação trabalha junto com a equipe que atende o paciente para agendar as interações com familiares via aplicativos simples de videochamadas, assim como as reuniões entre equipe médica e familiares na rotina de comunicar o boletim médico.

Os gestores e profissionais das instituições de saúde que se interessam pelo programa são atendidos diretamente pelos especialistas, que orientam na criação dos comitês de comunicação, treinamento dos multiplicadores, como e quais equipamentos utilizar, dentro da realidade de cada serviço.

"Fico muito feliz em ver diversas instituições usando nosso material e mais ainda ao receber os feedbacks que eles nos enviam, sobre o impacto da implementação dos protocolos de visitas e boletins virtuais, o quanto fez diferença na experiência de pacientes e familiares", afirma Sarah Ananda, médica paliativista, também autora do material.

Cuidado e acolhimento − Para Millena Câmara, especialista em psicologia hospitalar e luto, o contexto exige atenção com a saúde mental de pacientes, familiares e profissionais de saúde. A psicóloga lembra que o luto é o processo natural de adaptação às mudanças decorrentes de uma perda significativa, porém a realidade da atual pandemia tem resultado em novas perdas que precisam de um olhar mais atento no reconhecimento e autorização à expressão dessa dor. "Esse material foi cuidadosamente elaborado para lembrar a todos nós que é possível não perder a humanidade no caos. Na ausência do toque, o olhar pode ser a comunicação que toca o coração e acalenta o sofrimento", diz a especialista, que é idealizadora e membro do Núcleo de Apoio Apego e Perdas e membro do IWG (International Work Group on Death, Dying and Bereavement).

O sofrimento dos profissionais de saúde não foi esquecido. "As equipes médicas são formadas por filhos, pais, mães, esposos e esposas que sofrem ao verem seus pacientes vivendo a angústia de terem seus familiares ausentes nestes momentos. Comunicar-se é essencial para a vida, em todos os âmbitos. Quando interagimos, nos fortalecemos frente aos desafios, ainda que seja de forma virtual", finaliza Walmir Cedotti, psicanalista clínico da equipe do IBCS que integra o projeto e atua com desenvolvimento de equipes e líderes no Hospital das Clínicas e no ICESP da FMUSP.

FONTE Dr. Douglas Crispim