Corrupção mancha ações de governos latino-americanos na pandemia

Novo epicentro da crise do novo coronavírus, a América Latina tem mais a enfrentar do que a doença -- e não tem se saído bem

SÃO PAULO, 9 de julho de 2020 /PRNewswire/ -- Nas últimas semanas do mês de maio, mais precisamente no dia 22, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a América do Sul havia se tornado o novo epicentro da epidemia do novo coronavírus. Após os continentes asiático e europeu, agora seria a vez do continente sul-americano enfrentar os contornos mais problemáticos da crise — com forte influência do Brasil que recentemente passou os patamares de um milhão de casos e de cinquenta mil mortes.

A expansão da pandemia no continente conta com características específicas que dá outro nível de dificuldade no enfrentamento da doença no continente. Apesar de boas experiências locais, como é o caso do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, os sul-americanos não contam com um sistema de saúde pública amplo e eficiente — como é o caso de diferentes países europeus. Além disso, as economias do continente não vivem seus melhores dias, pacotes emergenciais vultuosos que garantam uma renda emergencial, e permitam um certo respiro ao comércio, são muito mais complicadas no hemisfério sul.

O empresário Edson Hydalgo Júnior, fundador da Intrader DTVM, lamenta a situação econômica do Brasil e questiona se o Brasil tem condições de lidar com a crise da mesma maneira como se lidou em países mais desenvolvidos. "Em países desenvolvidos tem mais reserva para o governo conceder uma renda emergencial e, na Europa por exemplo, há um sistema de saúde que consegue dar conta do recado. É muito mais difícil para nós, como país pobre e sem uma indústria pulsante, fazer a política de confinamento, talvez o dano econômico e social que vai vim depois da crise possa ser ainda mais problemático, mas também não conseguimos saber nem o tamanho dessa crise", lamenta.

No entanto, o combate ao vírus da América do Sul também conta com um mais um obstáculo: a corrupção. Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru tem investigações relacionadas a acordos firmados durante a crise relativos a superfaturamento de aparatos preventivos, como máscaras, respiradores, e até mesmo na construção de hospitais de campanha. Entre brigas e suspeitas entre governadores e presidentes no Brasil, uma fuga de avião cinematográfica no Equador e renúncia de ministros importantes do governo na Bolívia, a corrupção se mostra como mais uma barreira para conseguir superar a crise.

No Equador, onde o sistema de saúde entrou em colapso e relatos apontam a situação desesperadoras de famílias que aguardaram por dias a coleta de defuntos em sua própria sala de estar por não haver infraestrutura suficiente para lidar com todas as mortes, procuradores identificaram esquema de superfaturamento na compra de sacos para a coleta de cadáver por hospitais do país. A figura do jovem empresário Daniel Salcedo apareceu como beneficiário e ele fugiu do país para o Peru. No entanto, o avião de Salcedo caiu e ele sobreviveu, passou dias em hospitais peruanos, sob custódia da polícia local, até ser extraditado para seu país de origem, onde aguarda julgamento.

No caso equatoriano, o irmão de Salcedo ainda foi preso saindo do país com 47 mil dólares em dinheiro vivo. Além de tudo, antes da fuga cinematográfica do empresário, a polícia cumpriu um mandato de busca e apreensão na casa do ex-presidente Abdalá Bucaram, que chefiou o país entre 1996 e 1997, e encontrou armas, máscaras e testes — tudo com suspeitas de irregularidades o que levaram Bucaram a ser preso. Mais uma mancha na trajetória do político que passou 20 anos fora do país quando era investigado por corrupção.

Na Bolívia o Minsitro da Saúde está em prisão domiciliar e aguarda julgamento por uma acusação de corrupção que abrange o suposto pagamento de milhões a intermediários da venda de 170 ventiladores pulmonares que apresentaram falhas no seu funcionamento. Na Colômbia, o inspetor geral do país investiga acusações de mais de cem doadores de campanhas políticas por supostos contratos lucrativos para fornecer suprimentos necessários no combate à crise do novo coronavírus.

No Peru, o chefe de polícia e o Ministro do Interior renunciaram após uma situação trágica. Foi realizada a compra de máscaras de baixíssima qualidade para ser utilizada para policiais, o risco se tornou uma realidade e a força policial sofreu com uma onda de contágios. Mais de 11 mil policiais contraíram o vírus e pelo menos 200 morreram, além disso diversas bases policiais ao redor do país precisaram ser fechados para conter a onda infecciosa.

No Brasil a situação também não é exemplar — muito pelo contrário. Pelo menos sete governadores estão sendo investigados por superfaturamento de medidas de combate ao Covid-19 — que vão desde a compra de equipamentos até à instalação de hospitais de emergência. O governo federal também sofre acusações de suspeita de interferência na Polícia Federal para o favorecimento de seus aliados e ataque a seus adversários políticos.

Edson Hydalgo Júnior explica que períodos emergenciais, infelizmente são propensos a esse tipo de comportamento e que isso prejudica muito a imagem do Brasil no exterior. O empresário lamenta que quem mais sofre nesses espisódios é a população. "A gente sofre com a imagem perante outros países. É um absurdo mas tem um pessoal que se aproveita de um momento emergencial para fazer uma contratação sem licitação e vai lá e superfatura. Infelizmente a gente ainda carece de políticos que deixem de lado seus projetos pessoais para pensar na nação", comenta.

 

 

FONTE Edson Hydalgo Junior

Novo epicentro da crise do novo coronavírus, a América Latina tem mais a enfrentar do que a doença -- e não tem se saído bem

SÃO PAULO, 9 de julho de 2020 /PRNewswire/ -- Nas últimas semanas do mês de maio, mais precisamente no dia 22, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que a América do Sul havia se tornado o novo epicentro da epidemia do novo coronavírus. Após os continentes asiático e europeu, agora seria a vez do continente sul-americano enfrentar os contornos mais problemáticos da crise — com forte influência do Brasil que recentemente passou os patamares de um milhão de casos e de cinquenta mil mortes.

A expansão da pandemia no continente conta com características específicas que dá outro nível de dificuldade no enfrentamento da doença no continente. Apesar de boas experiências locais, como é o caso do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, os sul-americanos não contam com um sistema de saúde pública amplo e eficiente — como é o caso de diferentes países europeus. Além disso, as economias do continente não vivem seus melhores dias, pacotes emergenciais vultuosos que garantam uma renda emergencial, e permitam um certo respiro ao comércio, são muito mais complicadas no hemisfério sul.

O empresário Edson Hydalgo Júnior, fundador da Intrader DTVM, lamenta a situação econômica do Brasil e questiona se o Brasil tem condições de lidar com a crise da mesma maneira como se lidou em países mais desenvolvidos. "Em países desenvolvidos tem mais reserva para o governo conceder uma renda emergencial e, na Europa por exemplo, há um sistema de saúde que consegue dar conta do recado. É muito mais difícil para nós, como país pobre e sem uma indústria pulsante, fazer a política de confinamento, talvez o dano econômico e social que vai vim depois da crise possa ser ainda mais problemático, mas também não conseguimos saber nem o tamanho dessa crise", lamenta.

No entanto, o combate ao vírus da América do Sul também conta com um mais um obstáculo: a corrupção. Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru tem investigações relacionadas a acordos firmados durante a crise relativos a superfaturamento de aparatos preventivos, como máscaras, respiradores, e até mesmo na construção de hospitais de campanha. Entre brigas e suspeitas entre governadores e presidentes no Brasil, uma fuga de avião cinematográfica no Equador e renúncia de ministros importantes do governo na Bolívia, a corrupção se mostra como mais uma barreira para conseguir superar a crise.

No Equador, onde o sistema de saúde entrou em colapso e relatos apontam a situação desesperadoras de famílias que aguardaram por dias a coleta de defuntos em sua própria sala de estar por não haver infraestrutura suficiente para lidar com todas as mortes, procuradores identificaram esquema de superfaturamento na compra de sacos para a coleta de cadáver por hospitais do país. A figura do jovem empresário Daniel Salcedo apareceu como beneficiário e ele fugiu do país para o Peru. No entanto, o avião de Salcedo caiu e ele sobreviveu, passou dias em hospitais peruanos, sob custódia da polícia local, até ser extraditado para seu país de origem, onde aguarda julgamento.

No caso equatoriano, o irmão de Salcedo ainda foi preso saindo do país com 47 mil dólares em dinheiro vivo. Além de tudo, antes da fuga cinematográfica do empresário, a polícia cumpriu um mandato de busca e apreensão na casa do ex-presidente Abdalá Bucaram, que chefiou o país entre 1996 e 1997, e encontrou armas, máscaras e testes — tudo com suspeitas de irregularidades o que levaram Bucaram a ser preso. Mais uma mancha na trajetória do político que passou 20 anos fora do país quando era investigado por corrupção.

Na Bolívia o Minsitro da Saúde está em prisão domiciliar e aguarda julgamento por uma acusação de corrupção que abrange o suposto pagamento de milhões a intermediários da venda de 170 ventiladores pulmonares que apresentaram falhas no seu funcionamento. Na Colômbia, o inspetor geral do país investiga acusações de mais de cem doadores de campanhas políticas por supostos contratos lucrativos para fornecer suprimentos necessários no combate à crise do novo coronavírus.

No Peru, o chefe de polícia e o Ministro do Interior renunciaram após uma situação trágica. Foi realizada a compra de máscaras de baixíssima qualidade para ser utilizada para policiais, o risco se tornou uma realidade e a força policial sofreu com uma onda de contágios. Mais de 11 mil policiais contraíram o vírus e pelo menos 200 morreram, além disso diversas bases policiais ao redor do país precisaram ser fechados para conter a onda infecciosa.

No Brasil a situação também não é exemplar — muito pelo contrário. Pelo menos sete governadores estão sendo investigados por superfaturamento de medidas de combate ao Covid-19 — que vão desde a compra de equipamentos até à instalação de hospitais de emergência. O governo federal também sofre acusações de suspeita de interferência na Polícia Federal para o favorecimento de seus aliados e ataque a seus adversários políticos.

Edson Hydalgo Júnior explica que períodos emergenciais, infelizmente são propensos a esse tipo de comportamento e que isso prejudica muito a imagem do Brasil no exterior. O empresário lamenta que quem mais sofre nesses espisódios é a população. "A gente sofre com a imagem perante outros países. É um absurdo mas tem um pessoal que se aproveita de um momento emergencial para fazer uma contratação sem licitação e vai lá e superfatura. Infelizmente a gente ainda carece de políticos que deixem de lado seus projetos pessoais para pensar na nação", comenta.

 

 

FONTE Edson Hydalgo Junior