Incerteza na política dos EUA e seus reflexos para o Brasil

O governo Bolsonaro tem um discurso de forte alinhamento aos EUA, com a queda na popularidade de Trump como o mercado vê esse processo?

SÃO PAULO, 6 de julho de 2020 /PRNewswire/ -- Desde a eleição do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), o Brasil se alinhou quase que incondicionalmente aos EUA representado pela figura do polêmico Donald Trump que tinha um alinhamento ideológico muito claro ao novo governo brasileiro. Entre o conservadorismo e o armamentismo, o alinhamento também se deu em disputas ideológicas globais, como a leitura sobre uma suposta gravidade inventada da pandemia do Covid-19 que se impôs e mostrou a fragilidade do posicionamento desses governos. Antes deste episódio, os cidadãos dos EUA viviam com oferta farta de emprego e a economia ia muito bem, porém a realidade do país que é central na economia global não é a mesma que meses atrás e a dificuldade do governo em dialogar com os manifestantes antirracismo, que ganharam as ruas nas últimas semanas, também abrem espaço para a candidatura do democrata Joe Biden — antes desacreditado.

No dia 7 de março, representantes do governo Bolsonaro e da administração realizada por Donald Trump nos EUA se reuniram em Palm Beach, em um resort do próprio presidente estadunidense, no estado norte-americano da Flórida para discutir um acordo econômico bilateral. Apesar das declarações polêmicas do presidente brasileiro, o mercado ainda via esse tipo de ação como positiva e parecia que poderia render bons frutos não só para investidores, mas para toda a economia nacional.

O empresário Edson Hydalgo Júnior conta que o mercado via com bons olhos a aproximação de ambos os governos, mas que a questão central é mais ampla e não pode ser reduzida a um acordo ou outro, pois a economia como um todo deve ser observada. "O mercado, particularmente, não está olhando um ponto ou outro isoladamente. O mercado está sempre olhando pra frente, estamos um ano a frente, vemos os preços sempre no que está refletindo no ano que vem. A aproximação com economias sólidas pode sempre ser bom mas precisamos entender quais os acordos firmados e os benefícios que pode trazer para o PIB de uma maneira geral", comenta.

Ao mesmo tempo, lamenta que o governo mantenha um tom ideológico no que tange outros países como a China, uma das economias mais importantes para a exportação brasileira e também atritos com a união europeia. "Quem perde com o pensamento ideológico não é só o mercado, é o país como um todo. Tem muito político que atua com um raciocínio individualista e não pensa na nação como um todo. Isso deixa de lado os princípios básicos da democracia e de buscar que a nação prospere", lamenta.

Até o início do mês de março, quando ocorreu a reunião, tanto o Brasil como os EUA ainda não viviam um momento dramático envolvendo a crise do novo coronavírus, em ambos os países a chegada da epidemia se  deu em meados do mesmo mês e os contornos da crise foram ganhando contornos mais preocupantes e de lá para cá muita coisa mudou.

No Brasil, no fim do mês de maio foi que a crise se instaurou, inclusive com diversos membros da comitiva que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro tendo sido contaminados, o próprio presidente não foi um deles porém a negativa em apresentar os resultados gerou muitos questionamentos no país. Com o aumento no número de casos o governo parou de defender que a gravidade da crise era fantasiosa e a popularidade do presidente caiu nos últimos tempos.

Nos EUA a situação não é muito diferente. No início da crise, o presidente Donald Trump também não levava a sério o Covid-19 e, apesar da base governista fazer manifestações contra o isolamento social, sua aprovação caiu. Apenas cinco meses antes da eleição, o Instituto Gallup publicou uma pesquisa de opinião em que de maio a junho o presidente estadunidense teria visto sua popularidade cair em dez pontos percentuais — de 49% para 39%. O número causa preocupação para o Partido Republicano que apesar de atritos internos sempre tolerou Trump por causa da aprovação que tinha no país que apresentava um páreo duríssimo para qualquer candidato democrata que viesse a concorrer com o atual presidente.

Além de uma desaprovação no que tange a crise do Covid-19, os EUA também foram palco da eclosão de manifestações muito numerosas e em diversas cidades com pautas como o racismo — que nunca foi muito a praia de Donald Trump.

Já se conhece o candidato democrata, é o ex-senador e ex-vice presidente Joe Biden. Apesar do partido ter flertado com candidaturas mais à esquerda, Biden foi o vencedor e representa um discurso mais conservador dentro do partido democrata que se assemelha ao ex-presidente Barrack Obama e também à última candidata à Casa Branca pelo partido, Hillary Clinton.

Edson Hyldago Júnior conta que para o mercado o importante é manter uma boa relação com diversos países para que o Brasil consiga prosperar. "Nosso foco é a máquina como um todo. A economia está girando? Tem emprego ou está faltando? A população tem poder de consumo? Como vão as vendas? Como está o setor de construção que tem um peso forte no PIB. Precisamos de um governo que trabalhe através desse raciocínio e os benefícios disso não estão restritos ao mercado, a população toda ganha", explica.

FONTE Edson Hydalgo Junior

O governo Bolsonaro tem um discurso de forte alinhamento aos EUA, com a queda na popularidade de Trump como o mercado vê esse processo?

SÃO PAULO, 6 de julho de 2020 /PRNewswire/ -- Desde a eleição do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), o Brasil se alinhou quase que incondicionalmente aos EUA representado pela figura do polêmico Donald Trump que tinha um alinhamento ideológico muito claro ao novo governo brasileiro. Entre o conservadorismo e o armamentismo, o alinhamento também se deu em disputas ideológicas globais, como a leitura sobre uma suposta gravidade inventada da pandemia do Covid-19 que se impôs e mostrou a fragilidade do posicionamento desses governos. Antes deste episódio, os cidadãos dos EUA viviam com oferta farta de emprego e a economia ia muito bem, porém a realidade do país que é central na economia global não é a mesma que meses atrás e a dificuldade do governo em dialogar com os manifestantes antirracismo, que ganharam as ruas nas últimas semanas, também abrem espaço para a candidatura do democrata Joe Biden — antes desacreditado.

No dia 7 de março, representantes do governo Bolsonaro e da administração realizada por Donald Trump nos EUA se reuniram em Palm Beach, em um resort do próprio presidente estadunidense, no estado norte-americano da Flórida para discutir um acordo econômico bilateral. Apesar das declarações polêmicas do presidente brasileiro, o mercado ainda via esse tipo de ação como positiva e parecia que poderia render bons frutos não só para investidores, mas para toda a economia nacional.

O empresário Edson Hydalgo Júnior conta que o mercado via com bons olhos a aproximação de ambos os governos, mas que a questão central é mais ampla e não pode ser reduzida a um acordo ou outro, pois a economia como um todo deve ser observada. "O mercado, particularmente, não está olhando um ponto ou outro isoladamente. O mercado está sempre olhando pra frente, estamos um ano a frente, vemos os preços sempre no que está refletindo no ano que vem. A aproximação com economias sólidas pode sempre ser bom mas precisamos entender quais os acordos firmados e os benefícios que pode trazer para o PIB de uma maneira geral", comenta.

Ao mesmo tempo, lamenta que o governo mantenha um tom ideológico no que tange outros países como a China, uma das economias mais importantes para a exportação brasileira e também atritos com a união europeia. "Quem perde com o pensamento ideológico não é só o mercado, é o país como um todo. Tem muito político que atua com um raciocínio individualista e não pensa na nação como um todo. Isso deixa de lado os princípios básicos da democracia e de buscar que a nação prospere", lamenta.

Até o início do mês de março, quando ocorreu a reunião, tanto o Brasil como os EUA ainda não viviam um momento dramático envolvendo a crise do novo coronavírus, em ambos os países a chegada da epidemia se  deu em meados do mesmo mês e os contornos da crise foram ganhando contornos mais preocupantes e de lá para cá muita coisa mudou.

No Brasil, no fim do mês de maio foi que a crise se instaurou, inclusive com diversos membros da comitiva que acompanhou o presidente Jair Bolsonaro tendo sido contaminados, o próprio presidente não foi um deles porém a negativa em apresentar os resultados gerou muitos questionamentos no país. Com o aumento no número de casos o governo parou de defender que a gravidade da crise era fantasiosa e a popularidade do presidente caiu nos últimos tempos.

Nos EUA a situação não é muito diferente. No início da crise, o presidente Donald Trump também não levava a sério o Covid-19 e, apesar da base governista fazer manifestações contra o isolamento social, sua aprovação caiu. Apenas cinco meses antes da eleição, o Instituto Gallup publicou uma pesquisa de opinião em que de maio a junho o presidente estadunidense teria visto sua popularidade cair em dez pontos percentuais — de 49% para 39%. O número causa preocupação para o Partido Republicano que apesar de atritos internos sempre tolerou Trump por causa da aprovação que tinha no país que apresentava um páreo duríssimo para qualquer candidato democrata que viesse a concorrer com o atual presidente.

Além de uma desaprovação no que tange a crise do Covid-19, os EUA também foram palco da eclosão de manifestações muito numerosas e em diversas cidades com pautas como o racismo — que nunca foi muito a praia de Donald Trump.

Já se conhece o candidato democrata, é o ex-senador e ex-vice presidente Joe Biden. Apesar do partido ter flertado com candidaturas mais à esquerda, Biden foi o vencedor e representa um discurso mais conservador dentro do partido democrata que se assemelha ao ex-presidente Barrack Obama e também à última candidata à Casa Branca pelo partido, Hillary Clinton.

Edson Hyldago Júnior conta que para o mercado o importante é manter uma boa relação com diversos países para que o Brasil consiga prosperar. "Nosso foco é a máquina como um todo. A economia está girando? Tem emprego ou está faltando? A população tem poder de consumo? Como vão as vendas? Como está o setor de construção que tem um peso forte no PIB. Precisamos de um governo que trabalhe através desse raciocínio e os benefícios disso não estão restritos ao mercado, a população toda ganha", explica.

FONTE Edson Hydalgo Junior