LAFIS: Presidente eleito!

SÃO PAULO, 1 de novembro de 2018 /PRNewswire/ -- Com 55,13% dos votos válidos, o deputado federal Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República. A conquista sobre o adversário, Fernando Haddad do PT, marca o fim de uma hegemonia de disputa bipartidária entre PT e o PSDB, que nesta eleição amargou a quarta colocação, além de expressiva redução em sua bancada no Congresso Nacional. Bolsonaro venceu em 16 estados do país e Haddad em 11, sendo que estes concentram-se todos na região Nordeste, com exceção do Pará; reduto petista, com forte vínculo com o ex-presidente Lula, a região se manteve como cinturão de influência do partido dos trabalhadores, fortalecida pela eleição de quatro governadores naquela região.

Sobre o total de votos, contudo, destaca-se o maior percentual de nulos desde 1989, atingindo 8,6 milhões, equivalente a 7,4% do eleitorado. Somados brancos e ausentes ultrapassam 30% dos eleitores aptos, o que significa dizer que 42,1 milhões de eleitores recusaram ambos os candidatos, reforçando a tese do descredenciamento do modo de fazer política no Brasil. Embora já venha ocorrendo há alguns anos, desta vez a população mandou um recado para seus representantes, não apenas pelo alto número de abstenção, mas também por escolher um cadidato que aparenta estar fora do jogo que ninguém mais acredita. Mesmo sendo deputado por quase três décadas, Bolsonaro soube usar a seu favor a negação do status quo.

O ex-capitão, contudo, venceu em 21 das capitais, inclusive em estados do Nordeste, o que reforça sua penetração como alternativa aos partidos tradicionais naquela região. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país e onde seu adversário foi derrotado em primeiro turno na campanha para prefeitura da capital em 2016, Bolsonaro teve 67,97% dos votos válidos. Além disso, foi eleito governador por este estado, João Dória, que após deixar a prefeitura antes da metade do mandato, surfou na onda do presidente eleito com o slogan "Bolsodória".

Em meio a uma disputa conflituosa e marcada pelas "fake news", conforme noticiou matéria da Folha de São Paulo dias antes do pleito, o que marcou o processo, sem dúvida, foi a ausência de debates para o segundo turno, fato inédito no país. Embora alguns candidatos, inclusive o próprio ex-presidente Lula, tenham usado desta estratégia para privilegiar vantagens eleitorais na reta final, essa foi a primeira vez na história desde que foram instituídos dois turnos para o executivo, que não houve um debate. Bolsonaro, com estratégia de quem liderou a campanha inteira, atuou pelas redes sociais e canais de internet diretos com seus eleitores; é preciso lembrar, todavia, que o atentado sofrido à faca em 6 de setembro foi um dos motivos para evitar confrontos. De toda maneira, a despeito do repouso por orientação médica, o candidato não reduziu o tom bélico contra os adversários, chegando a mandar um vídeo para uma manifestação a seu favor no domingo anterior ao pleito onde, entre outras coisas, prometeu "banir da pátria os marginais vermelhos".

No primeiro discurso após oficializada a vitória, seguida de uma oração em rede nacional, Bolsonaro afirmou seu compromisso com Deus e com a Constituição, em uma tentativa de contemporizar as falas mais agressivas até então. No dia seguinte, entretanto, lançou críticas ao jornal Folha de São Paulo pela cobertura de sua campanha e foi enfático ao dizer "por si só esse jornal se acabou", em alusão aos repasses do governo federal aos meios de comunicação.

Do lado derrotado, embora o PT tenha feito a maior bancada da Câmara (57 deputados), outros partidos de esquerda têm negociado uma oposição a Bolsonaro sem o PT. Nesse caso, lideranças do PDT, PSB e PC do B, aliados históricos dos petistas, negociam um arco de alianças de modo que consigam maior protagonismo em relação ao que tiveram até hoje. Nesse caso, o candidato que ficou em terceiro lugar no primeiro turno e que se disse "traído por Lula", Ciro Gomes, é o principal nome nesta articulação. Por outro lado, é preciso ponderar que, apesar da derrota nas urnas, o PT ainda é o principal partido no campo da esquerda, tanto em filiados como em diretórios pelo país, além de ter conseguido 47 milhões de votos no segundo turno com apoio amplo, inclusive de críticos.

Por fim, detaca-se que as primeiras ações tomadas pela equipe do presidente eleito buscam testar as reações, tanto do mercado quanto da população. Da utilização ou não de reservas cambiais para redução da dívida pública, passando pela fusão e criação de "superministérios", modelos de reforma da previdência com ou sem os militares e chegando até o convite aceito pelo juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o futuro governo já atua para sinalizar suas preferências.

Especialista Responsável: Marcos Henrique

Mais Informações:

Lafis Consultoria – www.lafis.com.br

Stefany Alencarstefany.alencar@lafis.com.br

(11) 3257-2952

FONTE Lafis

SÃO PAULO, 1 de novembro de 2018 /PRNewswire/ -- Com 55,13% dos votos válidos, o deputado federal Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República. A conquista sobre o adversário, Fernando Haddad do PT, marca o fim de uma hegemonia de disputa bipartidária entre PT e o PSDB, que nesta eleição amargou a quarta colocação, além de expressiva redução em sua bancada no Congresso Nacional. Bolsonaro venceu em 16 estados do país e Haddad em 11, sendo que estes concentram-se todos na região Nordeste, com exceção do Pará; reduto petista, com forte vínculo com o ex-presidente Lula, a região se manteve como cinturão de influência do partido dos trabalhadores, fortalecida pela eleição de quatro governadores naquela região.

Sobre o total de votos, contudo, destaca-se o maior percentual de nulos desde 1989, atingindo 8,6 milhões, equivalente a 7,4% do eleitorado. Somados brancos e ausentes ultrapassam 30% dos eleitores aptos, o que significa dizer que 42,1 milhões de eleitores recusaram ambos os candidatos, reforçando a tese do descredenciamento do modo de fazer política no Brasil. Embora já venha ocorrendo há alguns anos, desta vez a população mandou um recado para seus representantes, não apenas pelo alto número de abstenção, mas também por escolher um cadidato que aparenta estar fora do jogo que ninguém mais acredita. Mesmo sendo deputado por quase três décadas, Bolsonaro soube usar a seu favor a negação do status quo.

O ex-capitão, contudo, venceu em 21 das capitais, inclusive em estados do Nordeste, o que reforça sua penetração como alternativa aos partidos tradicionais naquela região. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país e onde seu adversário foi derrotado em primeiro turno na campanha para prefeitura da capital em 2016, Bolsonaro teve 67,97% dos votos válidos. Além disso, foi eleito governador por este estado, João Dória, que após deixar a prefeitura antes da metade do mandato, surfou na onda do presidente eleito com o slogan "Bolsodória".

Em meio a uma disputa conflituosa e marcada pelas "fake news", conforme noticiou matéria da Folha de São Paulo dias antes do pleito, o que marcou o processo, sem dúvida, foi a ausência de debates para o segundo turno, fato inédito no país. Embora alguns candidatos, inclusive o próprio ex-presidente Lula, tenham usado desta estratégia para privilegiar vantagens eleitorais na reta final, essa foi a primeira vez na história desde que foram instituídos dois turnos para o executivo, que não houve um debate. Bolsonaro, com estratégia de quem liderou a campanha inteira, atuou pelas redes sociais e canais de internet diretos com seus eleitores; é preciso lembrar, todavia, que o atentado sofrido à faca em 6 de setembro foi um dos motivos para evitar confrontos. De toda maneira, a despeito do repouso por orientação médica, o candidato não reduziu o tom bélico contra os adversários, chegando a mandar um vídeo para uma manifestação a seu favor no domingo anterior ao pleito onde, entre outras coisas, prometeu "banir da pátria os marginais vermelhos".

No primeiro discurso após oficializada a vitória, seguida de uma oração em rede nacional, Bolsonaro afirmou seu compromisso com Deus e com a Constituição, em uma tentativa de contemporizar as falas mais agressivas até então. No dia seguinte, entretanto, lançou críticas ao jornal Folha de São Paulo pela cobertura de sua campanha e foi enfático ao dizer "por si só esse jornal se acabou", em alusão aos repasses do governo federal aos meios de comunicação.

Do lado derrotado, embora o PT tenha feito a maior bancada da Câmara (57 deputados), outros partidos de esquerda têm negociado uma oposição a Bolsonaro sem o PT. Nesse caso, lideranças do PDT, PSB e PC do B, aliados históricos dos petistas, negociam um arco de alianças de modo que consigam maior protagonismo em relação ao que tiveram até hoje. Nesse caso, o candidato que ficou em terceiro lugar no primeiro turno e que se disse "traído por Lula", Ciro Gomes, é o principal nome nesta articulação. Por outro lado, é preciso ponderar que, apesar da derrota nas urnas, o PT ainda é o principal partido no campo da esquerda, tanto em filiados como em diretórios pelo país, além de ter conseguido 47 milhões de votos no segundo turno com apoio amplo, inclusive de críticos.

Por fim, detaca-se que as primeiras ações tomadas pela equipe do presidente eleito buscam testar as reações, tanto do mercado quanto da população. Da utilização ou não de reservas cambiais para redução da dívida pública, passando pela fusão e criação de "superministérios", modelos de reforma da previdência com ou sem os militares e chegando até o convite aceito pelo juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o futuro governo já atua para sinalizar suas preferências.

Especialista Responsável: Marcos Henrique

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