LAFIS: Primeiras pesquisas após registro oficial de candidaturas marcam o mês de agosto

SÃO PAULO, 31 de agosto de 2018 /PRNewswire/ -- Concluída a etapa inicial, onde todos os candidatos são oficialmente conhecidos, cumpre-se o rito das pesquisas de intenção de votos, acompanhado das sabatinas e debates com os postulantes ao cargo de Presidente da República. Com metodologias próximas, mas não idênticas, algumas tendências podem ser identificadas, sobretudo naquilo que se refere às hipóteses mais consistentes para um muito provável segundo turno.

Tanto a pesquisa Ibope (21/08) quanto Datafolha (22/08) apontam o candidato do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com mais de um terço das intenções de voto. Na primeira, realizada a partir de uma amostra de 2,2 mil eleitores em 142 municípios, ele é o preferido por 37% dos entrevistados e na segunda, em uma amostra de 8,4 mil eleitores, realizada em 313 municípios, a preferência é de 39%. Jair Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 18% e 19%, respectivamente e, por fim, enquanto Marina Silva aparece em terceiro lugar na pesquisa Ibope (6%), seguida por Ciro Gomes e Geraldo Alckmin empatados com 5% cada, no Datafolha, as posições se modificam e a candidata da Rede atinge 8%, o tucano 6% e o pedetista 5%.

Nos cenários sem o ex-presidente Lula, Bolsonaro desponta no Datafolha com 22% e, Fernando Haddad, no lugar do petista, cai para sexta colocação, com 4% das intenções. Nesse caso, Marina vai a 16%, Ciro 10% e Geraldo Alckmin 9%, alterando significativamente a composição eleitoral e tornando a disputa mais acirrada. Esse fato se comprova pela mudança dos resultados no segundo turno, onde Lula, quando aparace, vence qualquer candidato na simulação com mais de 50% dos votos, mas sem ele, a ex-ministra do meio ambiente venceria Bolsonaro por 45% a 34%. O deputado ainda perderia para Alckmin (38% a 33%), para Ciro Gomes (38% a 35%) e venceria apenas Haddad (38% a 29%).

No entanto, esse resultado não leva em consideração a hipótese de Lula pedir apoio ao seu candidato, ou seja, Haddad aparece apenas como substituto oficial e não como o candidato indicado pelo ex-presidente, o que daria uma ideia a respeito do tamanho da capacidade de transferência de votos deste. A respeito desse fato, pesquisa eleitoral do DataPoder360, divulgada em 30/08, indica que haveria um potencial de transfrência de voto do candidato preso para o ex-prefeito de São Paulo, em torno de 34%. O cálculo é feito a partir da soma dos percentuais dos que dizem votar com certeza em Haddad (8%) e os que poderiam votar nele com apoio de Lula (26%).

A indefinição jurídica quanto à candidatura do PT, obriga as pesquisas a elaborar dois cenários diferentes e naquele em que Lula não aparece, o deputado Jair Bolsonaro é o preferido do eleitorado, oscilando entre 18% e 22% a depender da pesquisa. Com uma reserva de votos considerável quando se analisa a pouca expressão que tinha o candidato até pouco tempo atrás, embora bem votado no estado do RJ, suas entrevistas e debates têm gerado grandes repercussões, tanto positivas quanto negativas.

Com tom incisivo e conservador nas pautas ligadas aos costumes (casamento homoafetivo, debate de gênero em escolas públicas, aborto, drogas etc.), Bolsonaro tem fidelizado seus eleitores. Em contrapartida, o candidato tem aumentado sua rejeição, que já atinge 39%, de acordo com o Datafolha, seguido por Lula, com 34% entre os mais rejeitados do eleitorado brasileiro. No recorte por gênero elaborado pela pesquisa do Ibope, o ex-capitão tem aprovação de apenas 12% das mulheres, em parte explicada pela sua posição a respeito da diferenciação salarial entre estas e os homens; na outra ponta, 1 em cada 4 homens o apoia.

Além disso, de modo geral, seus eleitores tem entre 25 e 44 anos (41%), com ensino superior (23%), com renda acima de 5 salários mínimos (30%), são moradores das regiões Norte/Centro-Oeste (29%) e Sul e Sudeste (39%), predominantemente evangélicos (23%) e de cor branca (22%).

Os demais candidatos com potencial expressivo, encontram-se embolados atrás dos dois líderes. A ex-senadora pelo Acre, tem percorrido o país em campanha e explorado temas ligados ao meio ambiente, além de apoiar, ainda que de maneira pouco clara em alguns momentos, o pacote de reformas esperada por parte do mercado. O economista Eduardo Gianetti, assessor econômico da Rede, em programa de entrevistas da Globo News, citou o fato de que a reforma trabalhista, feita para, entre outras coisas, reduzir a insegurança jurídica, acabou por aumentá-la. Além disso, mostra-se favorável às mudaças, mas sem que direitos sejam perdidos, numa posição claramente dúbia, pois é a favor da redução do custo do trabalho.

O ex-governador do estado de São Paulo vem firmando sua posição em favor do pacote de reformas, mas, ao mesmo tempo, tenta se desvencilhar do estigma de apoiador do cambaleante governo de Michel Temer. Nesse sentido, o candidato do governo, Henrique Meirelles, tem ajudado na defesa das medidas em curso, enquanto contribui para retirar de Geraldo Alckmin esta necessidade. De todo modo, é preciso destacar que o candidato tucano, dono do maior tempo de televisão e do maior apoio partidário (centrão) custa a decolar no cenário eleitoral, o que o faz aumentar os esforços de campanha pelo país. Em última análise, cabe destacar que há alguns dias foi ao Nordeste, onde tem menor apoio (2% do eleitorado total) e usou chapéu de vaqueiro prometendo revitalizar o Rio São Francisco.

O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, também tem participado de sabatinas e debates televisivos, onde chama atenção sua proposta de refinanciamento de dívidas dos consumidores brasileiros. Em entrevista para o Jornal Nacional recentemente, entregou ao âncora uma cartilha onde diz ter o plano completo e detalhado sobre como fazer, a despeito da insistência do entrevistador sobre a simplificação do slogan, ao tratar de tema tão complexo. O ex-ministro, embora de fala eloquente, enfrenta problemas em sua candidatura do ponto de vista da clareza ideológica, sobretudo após a costura do PT para afastar o PSB do pedetista e isolá-lo, como debatido em nosso último relatório. Como resultado, Ciro foi obrigado a fechar uma chapa "puro-sangue" com a ex-ministra de Dilma, Kátia Abreu, que sofre forte oposição de diversos setores da esquerda, que inclusive a apelidaram de "Miss motosserra", em razão da sua interlocução junto à bancada ruralista no Congesso Nacional.

Todavia, tendo em vista o fato de que os três candidatos acima tem mais problemas para explicar seu projeto de país do que facilidades e aceitação do eleitorado, aumentam as probabilidades de que Jair Bolsonaro esteja no segundo turno, esperando a definição jurídica da candidatura de Lula que, se permitido concorrer, provavelmente o enfrentará. Caso o ex-presidente seja realmente impedido pela Lei da Ficha Limpa até o prazo limite de 17/09, é heróico (mas não impossível) imaginar que Fernando Haddad consiga absorver parte considerável dos votos para colocá-lo no segundo turno até o dia da eleição (07/10). Nesse caso, Geraldo Alckmin parace ter mais musculatura política, mais em função do apoio a sua candidatura por boa parte dos partidos, do que pela firmeza do seu discurso e conjunto de ideias.

Em última análise, cabe ainda destacar que Lula, mesmo impedido pelo TSE, pode recorrer da decisão até o STF, o que manteria seu nome nas urnas. De acordo com resolução do tribunal eleitoral, em caso do candidato impedido obter mais de 50% dos votos válidos, a eleição precisa ser anulada e refeita. Abaixo desse percentual, o segundo e terceiro candidatos disputarão o segundo turno. Assim, o imbróglio jurídico tem tudo para se alongar, o que já foi devidamente precificado pelo mercado financeiro e pode ser traduzido, em parte, pela desvalorização abrupta do real nas últimas semanas de agosto.

Especialista Responsável: Marcos Henrique.

Mais Informações:

Lafis Consultoria – www.lafis.com.br

Stefany Alencarstefany.alencar@lafis.com.br

(11) 3257-2952

FONTE Lafis

SÃO PAULO, 31 de agosto de 2018 /PRNewswire/ -- Concluída a etapa inicial, onde todos os candidatos são oficialmente conhecidos, cumpre-se o rito das pesquisas de intenção de votos, acompanhado das sabatinas e debates com os postulantes ao cargo de Presidente da República. Com metodologias próximas, mas não idênticas, algumas tendências podem ser identificadas, sobretudo naquilo que se refere às hipóteses mais consistentes para um muito provável segundo turno.

Tanto a pesquisa Ibope (21/08) quanto Datafolha (22/08) apontam o candidato do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com mais de um terço das intenções de voto. Na primeira, realizada a partir de uma amostra de 2,2 mil eleitores em 142 municípios, ele é o preferido por 37% dos entrevistados e na segunda, em uma amostra de 8,4 mil eleitores, realizada em 313 municípios, a preferência é de 39%. Jair Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 18% e 19%, respectivamente e, por fim, enquanto Marina Silva aparece em terceiro lugar na pesquisa Ibope (6%), seguida por Ciro Gomes e Geraldo Alckmin empatados com 5% cada, no Datafolha, as posições se modificam e a candidata da Rede atinge 8%, o tucano 6% e o pedetista 5%.

Nos cenários sem o ex-presidente Lula, Bolsonaro desponta no Datafolha com 22% e, Fernando Haddad, no lugar do petista, cai para sexta colocação, com 4% das intenções. Nesse caso, Marina vai a 16%, Ciro 10% e Geraldo Alckmin 9%, alterando significativamente a composição eleitoral e tornando a disputa mais acirrada. Esse fato se comprova pela mudança dos resultados no segundo turno, onde Lula, quando aparace, vence qualquer candidato na simulação com mais de 50% dos votos, mas sem ele, a ex-ministra do meio ambiente venceria Bolsonaro por 45% a 34%. O deputado ainda perderia para Alckmin (38% a 33%), para Ciro Gomes (38% a 35%) e venceria apenas Haddad (38% a 29%).

No entanto, esse resultado não leva em consideração a hipótese de Lula pedir apoio ao seu candidato, ou seja, Haddad aparece apenas como substituto oficial e não como o candidato indicado pelo ex-presidente, o que daria uma ideia a respeito do tamanho da capacidade de transferência de votos deste. A respeito desse fato, pesquisa eleitoral do DataPoder360, divulgada em 30/08, indica que haveria um potencial de transfrência de voto do candidato preso para o ex-prefeito de São Paulo, em torno de 34%. O cálculo é feito a partir da soma dos percentuais dos que dizem votar com certeza em Haddad (8%) e os que poderiam votar nele com apoio de Lula (26%).

A indefinição jurídica quanto à candidatura do PT, obriga as pesquisas a elaborar dois cenários diferentes e naquele em que Lula não aparece, o deputado Jair Bolsonaro é o preferido do eleitorado, oscilando entre 18% e 22% a depender da pesquisa. Com uma reserva de votos considerável quando se analisa a pouca expressão que tinha o candidato até pouco tempo atrás, embora bem votado no estado do RJ, suas entrevistas e debates têm gerado grandes repercussões, tanto positivas quanto negativas.

Com tom incisivo e conservador nas pautas ligadas aos costumes (casamento homoafetivo, debate de gênero em escolas públicas, aborto, drogas etc.), Bolsonaro tem fidelizado seus eleitores. Em contrapartida, o candidato tem aumentado sua rejeição, que já atinge 39%, de acordo com o Datafolha, seguido por Lula, com 34% entre os mais rejeitados do eleitorado brasileiro. No recorte por gênero elaborado pela pesquisa do Ibope, o ex-capitão tem aprovação de apenas 12% das mulheres, em parte explicada pela sua posição a respeito da diferenciação salarial entre estas e os homens; na outra ponta, 1 em cada 4 homens o apoia.

Além disso, de modo geral, seus eleitores tem entre 25 e 44 anos (41%), com ensino superior (23%), com renda acima de 5 salários mínimos (30%), são moradores das regiões Norte/Centro-Oeste (29%) e Sul e Sudeste (39%), predominantemente evangélicos (23%) e de cor branca (22%).

Os demais candidatos com potencial expressivo, encontram-se embolados atrás dos dois líderes. A ex-senadora pelo Acre, tem percorrido o país em campanha e explorado temas ligados ao meio ambiente, além de apoiar, ainda que de maneira pouco clara em alguns momentos, o pacote de reformas esperada por parte do mercado. O economista Eduardo Gianetti, assessor econômico da Rede, em programa de entrevistas da Globo News, citou o fato de que a reforma trabalhista, feita para, entre outras coisas, reduzir a insegurança jurídica, acabou por aumentá-la. Além disso, mostra-se favorável às mudaças, mas sem que direitos sejam perdidos, numa posição claramente dúbia, pois é a favor da redução do custo do trabalho.

O ex-governador do estado de São Paulo vem firmando sua posição em favor do pacote de reformas, mas, ao mesmo tempo, tenta se desvencilhar do estigma de apoiador do cambaleante governo de Michel Temer. Nesse sentido, o candidato do governo, Henrique Meirelles, tem ajudado na defesa das medidas em curso, enquanto contribui para retirar de Geraldo Alckmin esta necessidade. De todo modo, é preciso destacar que o candidato tucano, dono do maior tempo de televisão e do maior apoio partidário (centrão) custa a decolar no cenário eleitoral, o que o faz aumentar os esforços de campanha pelo país. Em última análise, cabe destacar que há alguns dias foi ao Nordeste, onde tem menor apoio (2% do eleitorado total) e usou chapéu de vaqueiro prometendo revitalizar o Rio São Francisco.

O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, também tem participado de sabatinas e debates televisivos, onde chama atenção sua proposta de refinanciamento de dívidas dos consumidores brasileiros. Em entrevista para o Jornal Nacional recentemente, entregou ao âncora uma cartilha onde diz ter o plano completo e detalhado sobre como fazer, a despeito da insistência do entrevistador sobre a simplificação do slogan, ao tratar de tema tão complexo. O ex-ministro, embora de fala eloquente, enfrenta problemas em sua candidatura do ponto de vista da clareza ideológica, sobretudo após a costura do PT para afastar o PSB do pedetista e isolá-lo, como debatido em nosso último relatório. Como resultado, Ciro foi obrigado a fechar uma chapa "puro-sangue" com a ex-ministra de Dilma, Kátia Abreu, que sofre forte oposição de diversos setores da esquerda, que inclusive a apelidaram de "Miss motosserra", em razão da sua interlocução junto à bancada ruralista no Congesso Nacional.

Todavia, tendo em vista o fato de que os três candidatos acima tem mais problemas para explicar seu projeto de país do que facilidades e aceitação do eleitorado, aumentam as probabilidades de que Jair Bolsonaro esteja no segundo turno, esperando a definição jurídica da candidatura de Lula que, se permitido concorrer, provavelmente o enfrentará. Caso o ex-presidente seja realmente impedido pela Lei da Ficha Limpa até o prazo limite de 17/09, é heróico (mas não impossível) imaginar que Fernando Haddad consiga absorver parte considerável dos votos para colocá-lo no segundo turno até o dia da eleição (07/10). Nesse caso, Geraldo Alckmin parace ter mais musculatura política, mais em função do apoio a sua candidatura por boa parte dos partidos, do que pela firmeza do seu discurso e conjunto de ideias.

Em última análise, cabe ainda destacar que Lula, mesmo impedido pelo TSE, pode recorrer da decisão até o STF, o que manteria seu nome nas urnas. De acordo com resolução do tribunal eleitoral, em caso do candidato impedido obter mais de 50% dos votos válidos, a eleição precisa ser anulada e refeita. Abaixo desse percentual, o segundo e terceiro candidatos disputarão o segundo turno. Assim, o imbróglio jurídico tem tudo para se alongar, o que já foi devidamente precificado pelo mercado financeiro e pode ser traduzido, em parte, pela desvalorização abrupta do real nas últimas semanas de agosto.

Especialista Responsável: Marcos Henrique.

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