Macron questiona descaso na Amazônia e se opõe ao acordo com Mercosul

Firmado no ano passado e grande trunfo do atual governo, parceria se vê em risco por ações de políticos do âmbito federal

SÃO PAULO, 9 de julho de 2020 /PRNewswire/ -- A crise do novo coronavírus tomou conta do noticiário internacional por alguns meses e com o apaziguamento da crise, as atenções já começam a se voltar para outros temas — alguns deles antigos conhecidos da população brasileira. A polêmica envolvendo as queimadas na floresta Amazônica voltaram a tomar conta das principais manchetes ao redor do mundo após se tornarem a justificativa do presidente francês Emmanuel Macron ao declarar a intenção de barrar o acordo União Europeia e Mercosul — firmado no ano passado — em reunião com ambientalistas.

No dia 28 de junho de 2019, líderes do Mercosul (representado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e dos 28 países que integram a União Europeia anunciaram o maior acordo comercial da história da humanidade após reunião na cidade de Bruxelas, na Bélgica. Após 20 anos de negociações, diferentes governos, crises, com episódios em que as conversas foram interrompidas e retomadas, o acordo fora finalmente firmado.

O empresário Edson Hydalgo Júnior, fundador da Intrader DTVM analisa que o mercado via com bons olhos a parceria: "Esse acordo era esperado pelo mercado há muitos anos, uma pena que não tenha sido firmado anteriormente. Com a promessa de abertura dos mercados, não só o setor agrícola mas o Brasil como um todo tinha muito a ganhar".

A resolução ostentava um mercado de muita grandeza, representava o maior acordo de livre comércio já firmado na história, já que conta com um volume de 800 milhões de consumidores. A escala financeira também era muito grande, somados os dois blocos representam 25% do PIB mundial (conjunto de bens e serviços produzidos em um determinado período) ou um total de 17 trilhões de dólares.

Do lado brasileiro, a expectativa era que o PIB nacional fosse impulsionado em 125 bilhões de dólares no intervalo de 15 anos e, apesar de não ter sido concebido pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido), foi anunciado como um grande trunfo da gestão, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e da Agricultura, Tereza Cristina, todos estiveram no evento.

No entanto, um ano após o anúncio, o acordo sofreu com uma reviravolta. No fim do mês de junho, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou, em uma reunião com grupos de defesa do meio ambiente, que vai se opor ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A justificativa foi o desrespeito de autoridades do Mercosul — com foco no Brasil — relativo ao que foi firmado no Acordo de Paris (em 2016). A Alemanha já havia ponderado sobre o problema e fez pressão pelos mesmos motivos.

A previsão era que o que foi firmado demorasse dois anos para se tornar uma realidade, pois deveria passar por aprovação nos parlamentos de todos os países signatários. Com a reviravolta recente e a unidade das declarações de dois dos principais países da União Europeia, vai demorar um pouco mais para que o maior acordo de livre comércio do mundo se torne uma realidade.

O empresário Edson Hydalgo Júnior lamenta, explica que por um lado entende um caráter de contrariedade no fato da Europa cobrar do Brasil que preserve sua mata, afinal o continente sul-americano é um dos poucos que ainda conta com uma vasta mata nativa. No entanto, crê que é necessário que a economia e o futuro estejam mais presentes no raciocínio e, em última instância, preservar a floresta pode ajudar não só o setor agrícola, como também o país como um todo. "O Brasil tem uma imagem externa muito ruim, antigamente a gente conseguia atrair o investidor externo por margens muito grandes de rendimento que valiam a pena apesar do risco do país. Atualmente, se for necessário que o governo tome cuidado com o meio ambiente para que a gente melhore nossa imagem, para impulsionar o setor agrícola a crescer ainda mais, é claro que isso vai fortalecer o mercado interno e atrair investimento externo", pondera.

É válido ressaltar que o presidente francês Emmanuel Macron fez o pronunciamento após sofrer derrota nas urnas de seu país nas eleições municipais, também no mês de junho. Quem saiu vitorioso foi o Partido Verde do país que vem ganhando espaço nos últimos tempos. Especialistas afirmam que as novas gerações que vêm ingressando na vida política de toda a Europa têm impulsionado a causa ambiental no continente e a descrença com os partidos tradicionais também é uma característica dessa nova força.

Além de criticar a ação dos governos que tratam o Acordo de Paris com pouca importância, o presidente francês ainda anunciou uma promessa de investir um total de 15 bilhões de euros para o que nomeou de transição ecológica da economia. Por mais que ambientalistas comemorem, é importante deixar claro que há um interesse político também em jogo. Macron visa a reeleição em 2020 e tem vivido altas e baixas na sua popularidade, então a ação também é um aceno aos eleitores de que ele está mais preocupado com o meio ambiente. Se vai se tornar uma realidade só o tempo dirá.

FONTE Edson Hydalgo Junior

Firmado no ano passado e grande trunfo do atual governo, parceria se vê em risco por ações de políticos do âmbito federal

SÃO PAULO, 9 de julho de 2020 /PRNewswire/ -- A crise do novo coronavírus tomou conta do noticiário internacional por alguns meses e com o apaziguamento da crise, as atenções já começam a se voltar para outros temas — alguns deles antigos conhecidos da população brasileira. A polêmica envolvendo as queimadas na floresta Amazônica voltaram a tomar conta das principais manchetes ao redor do mundo após se tornarem a justificativa do presidente francês Emmanuel Macron ao declarar a intenção de barrar o acordo União Europeia e Mercosul — firmado no ano passado — em reunião com ambientalistas.

No dia 28 de junho de 2019, líderes do Mercosul (representado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e dos 28 países que integram a União Europeia anunciaram o maior acordo comercial da história da humanidade após reunião na cidade de Bruxelas, na Bélgica. Após 20 anos de negociações, diferentes governos, crises, com episódios em que as conversas foram interrompidas e retomadas, o acordo fora finalmente firmado.

O empresário Edson Hydalgo Júnior, fundador da Intrader DTVM analisa que o mercado via com bons olhos a parceria: "Esse acordo era esperado pelo mercado há muitos anos, uma pena que não tenha sido firmado anteriormente. Com a promessa de abertura dos mercados, não só o setor agrícola mas o Brasil como um todo tinha muito a ganhar".

A resolução ostentava um mercado de muita grandeza, representava o maior acordo de livre comércio já firmado na história, já que conta com um volume de 800 milhões de consumidores. A escala financeira também era muito grande, somados os dois blocos representam 25% do PIB mundial (conjunto de bens e serviços produzidos em um determinado período) ou um total de 17 trilhões de dólares.

Do lado brasileiro, a expectativa era que o PIB nacional fosse impulsionado em 125 bilhões de dólares no intervalo de 15 anos e, apesar de não ter sido concebido pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido), foi anunciado como um grande trunfo da gestão, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e da Agricultura, Tereza Cristina, todos estiveram no evento.

No entanto, um ano após o anúncio, o acordo sofreu com uma reviravolta. No fim do mês de junho, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou, em uma reunião com grupos de defesa do meio ambiente, que vai se opor ao acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. A justificativa foi o desrespeito de autoridades do Mercosul — com foco no Brasil — relativo ao que foi firmado no Acordo de Paris (em 2016). A Alemanha já havia ponderado sobre o problema e fez pressão pelos mesmos motivos.

A previsão era que o que foi firmado demorasse dois anos para se tornar uma realidade, pois deveria passar por aprovação nos parlamentos de todos os países signatários. Com a reviravolta recente e a unidade das declarações de dois dos principais países da União Europeia, vai demorar um pouco mais para que o maior acordo de livre comércio do mundo se torne uma realidade.

O empresário Edson Hydalgo Júnior lamenta, explica que por um lado entende um caráter de contrariedade no fato da Europa cobrar do Brasil que preserve sua mata, afinal o continente sul-americano é um dos poucos que ainda conta com uma vasta mata nativa. No entanto, crê que é necessário que a economia e o futuro estejam mais presentes no raciocínio e, em última instância, preservar a floresta pode ajudar não só o setor agrícola, como também o país como um todo. "O Brasil tem uma imagem externa muito ruim, antigamente a gente conseguia atrair o investidor externo por margens muito grandes de rendimento que valiam a pena apesar do risco do país. Atualmente, se for necessário que o governo tome cuidado com o meio ambiente para que a gente melhore nossa imagem, para impulsionar o setor agrícola a crescer ainda mais, é claro que isso vai fortalecer o mercado interno e atrair investimento externo", pondera.

É válido ressaltar que o presidente francês Emmanuel Macron fez o pronunciamento após sofrer derrota nas urnas de seu país nas eleições municipais, também no mês de junho. Quem saiu vitorioso foi o Partido Verde do país que vem ganhando espaço nos últimos tempos. Especialistas afirmam que as novas gerações que vêm ingressando na vida política de toda a Europa têm impulsionado a causa ambiental no continente e a descrença com os partidos tradicionais também é uma característica dessa nova força.

Além de criticar a ação dos governos que tratam o Acordo de Paris com pouca importância, o presidente francês ainda anunciou uma promessa de investir um total de 15 bilhões de euros para o que nomeou de transição ecológica da economia. Por mais que ambientalistas comemorem, é importante deixar claro que há um interesse político também em jogo. Macron visa a reeleição em 2020 e tem vivido altas e baixas na sua popularidade, então a ação também é um aceno aos eleitores de que ele está mais preocupado com o meio ambiente. Se vai se tornar uma realidade só o tempo dirá.

FONTE Edson Hydalgo Junior