Marcelo Gleiser destaca o papel moral e social das empresas diante das transformações tecnológicas em evento do IAB Brasil

Cientista, vencedor do Prêmio Templeton 2019, palestrou no IAB Connecting Leaders, evento que reuniu lideranças do ecossistema da publicidade digital no Brasil

SÃO PAULO, 28 de novembro de 2019 /PRNewswire/ -- O IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) promoveu, nesta terça-feira (26/11), a segunda edição do IAB Connecting Leaders, evento que reuniu as principais lideranças do mercado da publicidade digital brasileira, entre anunciantes, publishers e plataformas de tecnologia. O encontro contou com palestra exclusiva do cientista Marcelo Gleiser, que falou sobre a importância da reconexão humana em um mundo orientado a dados, o impacto das tecnologias digitais nas relações sociais e no mundo dos negócios.

"O impacto das tecnologias digitais na sociedade, nas relações interpessoais e no modo como as empresas fazem negócios é inevitável. A mecanização e automação de processos e o machine learning, por exemplo, estão tornando supérfluas diversas atividades, até então consideradas essenciais, e criando outras, em um processo que gera dilemas éticos sem precedentes na história da humanidade", afirmou o ganhador do Prêmio Templeton 2019. Segundo Marcelo Gleiser, essa transformação irá se acelerar nos próximos cinco a dez anos, e os líderes precisam estar preparados para lidar com as mudanças que elas trazem para as organizações.

Para o cientista brasileiro radicado nos EUA, o uso da tecnologia para gerar inteligência possibilitou avanços importantes, inclusive ao permitir a comunicação personalizada e dirigida entre as marcas e os consumidores. "A Narrow Artificial Intelligence tem proporcionado resultados incríveis e ainda pode melhorar muito. Mas quando me perguntam se a inteligência artificial algum dia será capaz de substituir a inteligência humana como um todo, a resposta é não", explicou Gleiser. Para exemplificar, citou que robôs já são programados para fazer o trabalho de cirurgiões com perfeição, mas jamais serão capazes de promover o tratamento mais humano que uma enfermeira dá ao paciente. "Além do mais, há problemas relacionados a questões éticas que os algoritmos da chamada General Artificial Intelligence jamais serão capazes de solucionar".

Em sua opinião, é preciso uma postura social proativa das empresas em relação ao impacto que as novas tecnologias trarão sobre o futuro dos empregos. "Será que as empresas que estão implantando essas tecnologias não têm a obrigação moral de criar novos caminhos profissionais para as pessoas que vão perder seus empregos para a tecnologia? Estamos pensando em como dar alguma compensação?", questionou Gleiser, ao destacar que não será possível retreinar todas as pessoas para compensar a perda dos empregos trazida pelas novas tecnologias. Daí a importância de ações, como o projeto Formar para Transformar da área de Educação do IAB Brasil, que objetiva qualificar as pessoas para economia digital.

O desequilíbrio social, segundo o cientista brasileiro, é impulsionado por tecnologias como o biohacking (possibilidade de hackear a própria biologia para criar uma versão sobre-humana dela) e o CRISPR (que permite combinar seletivamente pedaços do DNA para criar um novo padrão), e já estão disponíveis para quem entende um pouco de genética e esteja disposto a investir cerca de US$ 10 mil e construir um laboratório em casa. Em 20 anos, isto poderá criar padrões altamente seletivos para quem dispõe de recursos, permitindo por exemplo, a configuração dos genes ou o controle de doenças genéticas. Mas estes recursos estarão ao alcance de poucos, que poderão pagar por essas tecnologias, criando duas classes de seres humanos diferentes e ampliando o desequilíbrio social. Por isso, o papel social das empresas hoje é extremamente importante.

As questões morais que envolvem as novas tecnologias, destacou Marcelo Gleiser, incluem, por exemplo, as definições de como programar a Inteligência Artificial para lidar com situações de riscos. "Como deve funcionar o algoritmo do carro autônomo para reagir e fazer escolhas diante de situações sensíveis que podem envolver perdas humanas? Como escolher entre colidir com outro veículo ou atropelar um pedestre? Qual deve ser a responsabilidade das empresas nesse contexto?", questionou.

O uso de algoritmos é sensacional, segundo Gleiser, pois ajuda a prever o que o consumidor deseja e até sugerir coisas que ele nem sequer havia imaginado gostar. Mas eles também são responsáveis pelo chamado "efeito túnel", no qual as pessoas, a partir de uma escolha inicial, são conduzidas para temas, ideias ou grupos e tribos específicos que reforçam visões polarizadas sem que elas se deem conta disso. É preciso um esforço não só para respeitar a diversidade, mas permitir aprender com ela.

"O IAB Brasil tem um importante papel a desempenhar no apoio ao desenvolvimento da indústria da comunicação digital. Isso inclui trazer reflexões que ajudem o nosso ecossistema a lidar com os desafios que a transformação digital traz para o ambiente de negócios das empresas, com destaque para nossa responsabilidade social nesse processo transformacional", afirmou Ana Moisés, presidente do IAB Brasil.

"Cuidar dessas questões é uma enorme responsabilidade para nós e nossos filhos. Acredito que a geração Z vá reinventar a humanidade, e isso passa pelo modo de pensar", disse Marcelo Gleiser, ao acrescentar, contudo, que há todo um aprendizado recíproco que deve entre as gerações.

Sobre o risco de a Inteligência Artificial substituir o homem, concluiu o cientista, isto não vai acontecer. O machine learning vai evoluir, explorando padrões de correlação de dados, mas isto é diferente da ideia de uma inteligência artificial que cria visões, tem consciência, na qual o homem acaba e a máquina vira Deus. "A consciência não está apenas no cérebro, mas em todo o corpo, e a inteligência humana faz parte da forma como estamos conectados ao mundo por meio dos nossos sentidos".

Conheça o IAB Brasil: Com mais de 250 associados, o IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) reúne as principais empresas do mercado digital entre veículos, agências, anunciantes e empresas de tecnologia. Entidade sem fins lucrativos, tem como missão contribuir para o desenvolvimento da publicidade digital no Brasil incentivando à criação de boas práticas em planejamento, criação, compra, venda, veiculação e mensuração de ações publicitárias digitais.

FONTE IAB Brasil

Cientista, vencedor do Prêmio Templeton 2019, palestrou no IAB Connecting Leaders, evento que reuniu lideranças do ecossistema da publicidade digital no Brasil

SÃO PAULO, 28 de novembro de 2019 /PRNewswire/ -- O IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) promoveu, nesta terça-feira (26/11), a segunda edição do IAB Connecting Leaders, evento que reuniu as principais lideranças do mercado da publicidade digital brasileira, entre anunciantes, publishers e plataformas de tecnologia. O encontro contou com palestra exclusiva do cientista Marcelo Gleiser, que falou sobre a importância da reconexão humana em um mundo orientado a dados, o impacto das tecnologias digitais nas relações sociais e no mundo dos negócios.

"O impacto das tecnologias digitais na sociedade, nas relações interpessoais e no modo como as empresas fazem negócios é inevitável. A mecanização e automação de processos e o machine learning, por exemplo, estão tornando supérfluas diversas atividades, até então consideradas essenciais, e criando outras, em um processo que gera dilemas éticos sem precedentes na história da humanidade", afirmou o ganhador do Prêmio Templeton 2019. Segundo Marcelo Gleiser, essa transformação irá se acelerar nos próximos cinco a dez anos, e os líderes precisam estar preparados para lidar com as mudanças que elas trazem para as organizações.

Para o cientista brasileiro radicado nos EUA, o uso da tecnologia para gerar inteligência possibilitou avanços importantes, inclusive ao permitir a comunicação personalizada e dirigida entre as marcas e os consumidores. "A Narrow Artificial Intelligence tem proporcionado resultados incríveis e ainda pode melhorar muito. Mas quando me perguntam se a inteligência artificial algum dia será capaz de substituir a inteligência humana como um todo, a resposta é não", explicou Gleiser. Para exemplificar, citou que robôs já são programados para fazer o trabalho de cirurgiões com perfeição, mas jamais serão capazes de promover o tratamento mais humano que uma enfermeira dá ao paciente. "Além do mais, há problemas relacionados a questões éticas que os algoritmos da chamada General Artificial Intelligence jamais serão capazes de solucionar".

Em sua opinião, é preciso uma postura social proativa das empresas em relação ao impacto que as novas tecnologias trarão sobre o futuro dos empregos. "Será que as empresas que estão implantando essas tecnologias não têm a obrigação moral de criar novos caminhos profissionais para as pessoas que vão perder seus empregos para a tecnologia? Estamos pensando em como dar alguma compensação?", questionou Gleiser, ao destacar que não será possível retreinar todas as pessoas para compensar a perda dos empregos trazida pelas novas tecnologias. Daí a importância de ações, como o projeto Formar para Transformar da área de Educação do IAB Brasil, que objetiva qualificar as pessoas para economia digital.

O desequilíbrio social, segundo o cientista brasileiro, é impulsionado por tecnologias como o biohacking (possibilidade de hackear a própria biologia para criar uma versão sobre-humana dela) e o CRISPR (que permite combinar seletivamente pedaços do DNA para criar um novo padrão), e já estão disponíveis para quem entende um pouco de genética e esteja disposto a investir cerca de US$ 10 mil e construir um laboratório em casa. Em 20 anos, isto poderá criar padrões altamente seletivos para quem dispõe de recursos, permitindo por exemplo, a configuração dos genes ou o controle de doenças genéticas. Mas estes recursos estarão ao alcance de poucos, que poderão pagar por essas tecnologias, criando duas classes de seres humanos diferentes e ampliando o desequilíbrio social. Por isso, o papel social das empresas hoje é extremamente importante.

As questões morais que envolvem as novas tecnologias, destacou Marcelo Gleiser, incluem, por exemplo, as definições de como programar a Inteligência Artificial para lidar com situações de riscos. "Como deve funcionar o algoritmo do carro autônomo para reagir e fazer escolhas diante de situações sensíveis que podem envolver perdas humanas? Como escolher entre colidir com outro veículo ou atropelar um pedestre? Qual deve ser a responsabilidade das empresas nesse contexto?", questionou.

O uso de algoritmos é sensacional, segundo Gleiser, pois ajuda a prever o que o consumidor deseja e até sugerir coisas que ele nem sequer havia imaginado gostar. Mas eles também são responsáveis pelo chamado "efeito túnel", no qual as pessoas, a partir de uma escolha inicial, são conduzidas para temas, ideias ou grupos e tribos específicos que reforçam visões polarizadas sem que elas se deem conta disso. É preciso um esforço não só para respeitar a diversidade, mas permitir aprender com ela.

"O IAB Brasil tem um importante papel a desempenhar no apoio ao desenvolvimento da indústria da comunicação digital. Isso inclui trazer reflexões que ajudem o nosso ecossistema a lidar com os desafios que a transformação digital traz para o ambiente de negócios das empresas, com destaque para nossa responsabilidade social nesse processo transformacional", afirmou Ana Moisés, presidente do IAB Brasil.

"Cuidar dessas questões é uma enorme responsabilidade para nós e nossos filhos. Acredito que a geração Z vá reinventar a humanidade, e isso passa pelo modo de pensar", disse Marcelo Gleiser, ao acrescentar, contudo, que há todo um aprendizado recíproco que deve entre as gerações.

Sobre o risco de a Inteligência Artificial substituir o homem, concluiu o cientista, isto não vai acontecer. O machine learning vai evoluir, explorando padrões de correlação de dados, mas isto é diferente da ideia de uma inteligência artificial que cria visões, tem consciência, na qual o homem acaba e a máquina vira Deus. "A consciência não está apenas no cérebro, mas em todo o corpo, e a inteligência humana faz parte da forma como estamos conectados ao mundo por meio dos nossos sentidos".

Conheça o IAB Brasil: Com mais de 250 associados, o IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau) reúne as principais empresas do mercado digital entre veículos, agências, anunciantes e empresas de tecnologia. Entidade sem fins lucrativos, tem como missão contribuir para o desenvolvimento da publicidade digital no Brasil incentivando à criação de boas práticas em planejamento, criação, compra, venda, veiculação e mensuração de ações publicitárias digitais.

FONTE IAB Brasil

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