Marta Fadel: ''O Brasil perdeu o dono de um olhar privilegiado que enxergava com a alma''

Gilberto Chateaubriand era dono de um acervo com cerca de 8.000 obras. O mecenas tem peças em exposição no MAM Rio; morreu aos 97 anos, por causas naturais 

SAO PAULO, 15 de julho de 2022 /PRNewswire/ -- O colecionador Gilberto Chateaubriand, detentor de uma das mais importantes coleções de artes do país, morreu na quinta-feira (14) aos 97 anos, no Rio de Janeiro (RJ), por causas naturais. O mecenas estava em sua fazenda em Porto Ferreira (SP), e deixa um filho único, Carlos Alberto Gouvêa Chateaubriand.

Diplomata de formação e notório pelo seu conhecimento e acervo em artes plásticas, Chateaubriand construiu uma coleção com cerca de 8.000 obras brasileiras. Em 1993, decidiu ceder a coleção ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) em regime de comodato, ou seja, cedeu suas peças para exposição de forma gratuita.

Para a colecionadora de arte e advogada membro do conselho da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB/RJ), Marta Fadel, o Brasil "perdeu o dono de um olhar privilegiado que enxergava com a alma", diz ela. "Ele reconhecia cada uma das suas mais de 8.000 obras, sabendo dizer exatamente em que ano as trouxe para si, para depois, compartilhá-las conosco", conta a colecionadora.

Marta considera, ainda, que Chateaubriand "aproximou a arte da vida". "Foi seu olhar, que mais trouxe ao Brasil, para sempre, a presença do gosto acurado pela expressão da tela, do papel e da escultura. Aliás, seu amor pelas artes plásticas transformava tudo, por onde passava, num evento cultural", afirma Fadel.

Gilberto Chateaubriand nasceu em Paris, na França, e era filho de um dos maiores influentes da comunicação no Brasil, o jornalista, advogado, político e empresário Assis Chateaubriand (1892-1968). Assis fundou o Masp (Museu de Arte de São Paulo), que leva seu nome.

Chateaubriand começou a colecionar obras em 1953, depois de visitar o ateliê do pintor José Pancetti, em Salvador (BA) e ser presenteado com o óleo sobre tela "Paisagem de Itapuã" (1953). Seu filho, que é presidente do Conselho de Administração do MAM Rio, pretende agora finalizar a construção de um instituto cultural em homenagem ao pai na fazenda no interior paulista.

O acervo de Gilberto conta com nomes como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Hélio Oitica, Cândido Portinari, Lasar Segall, Iberê Camargo, Alberto da Veiga Guignard, Lygia Pape, Maria Helena Vieira da Silva e Lygia Clark. Em 2012, o importante conjunto de obras foi reproduzido em livro: a editora Barléu lançou o livro de fotografias "Coleção Gilberto Chateaubriand".

No ano seguinte, o mecenas recebeu outra homenagem, na cidade em que se encontra a fazenda onde faleceu. O município de Porto Ferreira inaugurou o Espaço Cultural Gilberto Chateaubriand Bandeira de Mello. O local dispõe de uma obra doada pelo colecionador ao acervo permanente da cidade.

Gilberto foi membro do conselho internacional do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa), da Fundação Cartier para Arte Contemporânea (na França), da comissão administrativa da Fundação Bienal de São Paulo, do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP), do conselho do Paço Imperial, do MAM Rio e do MAM São Paulo.

Foto - https://mma.prnewswire.com/media/1860378/GILBERTO_CHATEUBRIAND_FOTO__VICENTE_DE_MELLO.jpg

FONTE Marta Fadel

Gilberto Chateaubriand era dono de um acervo com cerca de 8.000 obras. O mecenas tem peças em exposição no MAM Rio; morreu aos 97 anos, por causas naturais 

SAO PAULO, 15 de julho de 2022 /PRNewswire/ -- O colecionador Gilberto Chateaubriand, detentor de uma das mais importantes coleções de artes do país, morreu na quinta-feira (14) aos 97 anos, no Rio de Janeiro (RJ), por causas naturais. O mecenas estava em sua fazenda em Porto Ferreira (SP), e deixa um filho único, Carlos Alberto Gouvêa Chateaubriand.

Diplomata de formação e notório pelo seu conhecimento e acervo em artes plásticas, Chateaubriand construiu uma coleção com cerca de 8.000 obras brasileiras. Em 1993, decidiu ceder a coleção ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) em regime de comodato, ou seja, cedeu suas peças para exposição de forma gratuita.

Para a colecionadora de arte e advogada membro do conselho da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB/RJ), Marta Fadel, o Brasil "perdeu o dono de um olhar privilegiado que enxergava com a alma", diz ela. "Ele reconhecia cada uma das suas mais de 8.000 obras, sabendo dizer exatamente em que ano as trouxe para si, para depois, compartilhá-las conosco", conta a colecionadora.

Marta considera, ainda, que Chateaubriand "aproximou a arte da vida". "Foi seu olhar, que mais trouxe ao Brasil, para sempre, a presença do gosto acurado pela expressão da tela, do papel e da escultura. Aliás, seu amor pelas artes plásticas transformava tudo, por onde passava, num evento cultural", afirma Fadel.

Gilberto Chateaubriand nasceu em Paris, na França, e era filho de um dos maiores influentes da comunicação no Brasil, o jornalista, advogado, político e empresário Assis Chateaubriand (1892-1968). Assis fundou o Masp (Museu de Arte de São Paulo), que leva seu nome.

Chateaubriand começou a colecionar obras em 1953, depois de visitar o ateliê do pintor José Pancetti, em Salvador (BA) e ser presenteado com o óleo sobre tela "Paisagem de Itapuã" (1953). Seu filho, que é presidente do Conselho de Administração do MAM Rio, pretende agora finalizar a construção de um instituto cultural em homenagem ao pai na fazenda no interior paulista.

O acervo de Gilberto conta com nomes como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Hélio Oitica, Cândido Portinari, Lasar Segall, Iberê Camargo, Alberto da Veiga Guignard, Lygia Pape, Maria Helena Vieira da Silva e Lygia Clark. Em 2012, o importante conjunto de obras foi reproduzido em livro: a editora Barléu lançou o livro de fotografias "Coleção Gilberto Chateaubriand".

No ano seguinte, o mecenas recebeu outra homenagem, na cidade em que se encontra a fazenda onde faleceu. O município de Porto Ferreira inaugurou o Espaço Cultural Gilberto Chateaubriand Bandeira de Mello. O local dispõe de uma obra doada pelo colecionador ao acervo permanente da cidade.

Gilberto foi membro do conselho internacional do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa), da Fundação Cartier para Arte Contemporânea (na França), da comissão administrativa da Fundação Bienal de São Paulo, do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP), do conselho do Paço Imperial, do MAM Rio e do MAM São Paulo.

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